terça-feira, 5 de abril de 2011

Adoro...

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa



Porque é um poema que me diz muito e que me toca no meu íntimo desde a primeira vez que o li...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

S.L.Benfica 1-2 Porto

Esta noite não me vou alongar muito apenas alguns comentários breves até porque benfiquista ferrenha que sou custa sempre ver o nosso maior rival sagrar-se campeão na nossa casa...
Este jogo teve um bom nível porém acho muito exagerado quando o treinador azul e branco refere que tivemos sorte em não sairmos deste jogo goleados... Acho que o sucesso subiu muito rápido à cabeça... lamentável...
Outro aspecto lamentável,  que não concordo e condeno, foi os objectos tirados para o relvado porem foi interessante ver que os jogadores do Porto também não gostaram de passar pela mesma situação pela que o Benfica passou quando jogou no norte....
Lamento mesmo foi a atitude irresponsável do Cardozo... Esperava mais dele...



Apesar de tudo deixo os meus parabéns ao novo campeão nacional visto que se foi ou não merecido já é outra longa historia...

domingo, 3 de abril de 2011

Fim de Semana

Para onde foi o sol e o calor???
A imaginar uma ida à praia e o primeiro banho do ano e depois aparece as nuvens, o vento e a chuva...
Enquanto estive a turriscar no calor alentejano o tempo nao decidiu dar tréguas só quando vim para o Algarve...
Tu, São Pedro, e Eu temos de ajustar contas, ah temos temos... Só uns pequenos promenores...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Semana Académica de Beja

Ontem os Klepht deram mais um grande concerto... Adorei... Para repetir para breve...